E-mail

[email protected]

Olá, a maior parte de vocês conhece o Esteticista Ricco Porto, mas, permitam-me apresentar o Ricco Porto Educador (Bacharel em letras e Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior).

Uma breve reflexão sobre o ensino da Estética no Brasil

O modelo formal de ensino brasileiro é constituído por disciplinas específicas, que juntas dão suporte base para formação. Exemplo; no ensino médio, se estuda Língua Portuguesa, Matemática, Física, e isso ao longo de alguns anos, até a conclusão de todas as etapas desse segmento. O mesmo modelo de ensino é aplicado nos cursos de Estética.

Porém, tanto as metodologias aplicadas a essas disciplinas, como o próprio modelo de ensino, em grande parte, não são tão eficientes quanto deveriam. E essas falhas, quando ocorrem, geram uma deficiência na formação do futuro profissional que chegará ao mercado.

Mas quais seriam os erros na metodologia e modelo de ensino?

Erros na metodologia de ensino:

A metodologia tradicional e vigente na esmagadora maioria dos ambientes de ensino, é conhecida como Metodologia Passiva. Nesse sentido, o processo ensino-aprendizagem, tem se restringido, muitas vezes, à reprodução do conhecimento, no qual o professor assume um papel de transmissor de conteúdo, ao passo que, ao aluno, cabe a retenção e repetição dos mesmos – em uma atitude passiva e receptiva (ou reprodutora) – tornando-se mero expectador, sem a necessária crítica e reflexão daquilo que recebe como verdade.

Erros no modelo de ensino:

O modelo de ensino atual tende a isolar disciplinas semestre após semestre, gerando rupturas no processo de aprendizagem e dificultando a existência do movimento de continuidade/ruptura.

O processo de continuidade é aquele no qual o estudante é capaz de relacionar o conteúdo apreendido aos conhecimentos prévios, ou seja, o conteúdo novo deve apoiar-se em estruturas cognitivas já existentes, organizadas como subsunçores*. O processo de ruptura, por outro lado, instaura-se a partir do surgimento de novos desafios, os quais deverão ser trabalhados pela análise crítica, levando o aprendiz a ultrapassar as suas vivências – conceitos prévios, sínteses anteriores e outros -, tensão que acaba por possibilitar a ampliação de suas possibilidades de conhecimento.

Como esses erros afetam o profissional de Estética na prática?
A falta de estímulo ao pensamento crítico e ao raciocínio lógico, gera impactos diretos na atuação do profissional, bem como dependência de ferramentas simplistas de trabalho, como os chamados protocolos pré-estabelecidos (aplicados a todos os indivíduos de forma impessoal). A dependência desses protocolos reside na incapacidade que o profissional tem de entender o todo, e formular um tratamento individualizado, de acordo com características mais amplas do conhecimento. Não por falta de competência, inteligência, ou mesmo de formação, mas pela falta de conexão com que as disciplinas que o formaram foram apresentadas.

Por que devemos repensar nosso modelo de ensino na Estética?
Se buscarmos o histórico das profissões da área de saúde poderemos constatar que todas as categorias passaram e passam por um constante processo de evolução, partindo do experimental (teste), para o empírico (constatação na prática), caminhando para o científico (investigação científica). E na Estética não poderia ser diferente.

Isso porque o próprio segmento, os profissionais e a sociedade clamam por isso.

Qual profissional/aluno já não parou para se questionar;

Que ação fisiológica desencadeio com esse princípio ativo?
Porque executamos o procedimento “x” nesses parâmetros?
Qual a ação terapêutica dessa técnica?
Quais os efeitos colaterais podem ocorrer na prática “y”?
Enfim, questionamentos e inquietudes provindas de um indivíduo que não é uma “folha em branco”, mas que além de conhecimentos e vivências pregressas, tem acesso a uma enxurrada de informações dos mais diversos meios de comunicação e fontes de conhecimento.

Quais seriam as alternativas de mudança?

O primeiro passo para a mudança seria repensar a metodologia empregada no ensino atual. Considerando-se que a formação do esteticista hoje dura alguns anos enquanto a atividade profissional pode permanecer por décadas, e que os conhecimentos e competências vão se transformando velozmente, torna-se essencial pensar em uma metodologia para uma prática de educação libertadora, na formação de um profissional ativo e apto a buscar o aprendizado continuadamente. Aprendendo a questionar, sistematizar, desenvolver, investigar e executar, garantindo a integralidade no atendimento estético, com qualidade, eficiência e resolutividade.

O professor nessa perspectiva, deve desenvolver novas habilidades, como a vontade e a capacidade de permitir ao aluno participar ativamente de seu processo de aprendizagem, respeitando, escutando com empatia e acreditando na sua capacidade de desenvolver e aprender. Somente um ambiente de liberdade e apoio, dará condições para que os alunos desenvolvam seu potencial.

Sobre a apresentação das disciplinas, estas devem ser expostas de forma que interajam e apontem para um objetivo claro no processo de formação, pois estas serão a base da prática clínica do profissional.

Por exemplo, para definir e aplicar um plano de tratamento de acne, mesmo de forma inconsciente, o profissional se utiliza de vários conceitos aprendidos na sua formação. Desde os mais teóricos como; anatomia, citologia, fisiologia, fisiopatologia, etiopatogenia, bioquímica, farmacologia e cosmetologia. Aos mais práticos como; avaliação, biossegurança, práticas em Estética Facial (limpeza de pele, controle de oleosidade e redução de óstios).

É importante que as disciplinas dialoguem entre si, auxiliando na construção de conceitos práticos para os indivíduos, e formando profissionais capazes de avaliar, desenvolver e aplicar procedimentos baseados nessa gama de conhecimentos que obteve em sua formação.

Libertando-os da dependência de protocolos pré-estabelecidos que não atendem o cliente em suas necessidades individuais, e empoderando o profissional para escolhas assertivas.

Somente empregar a política de recusa de fornecimento de protocolos, nem de longe é a solução, pois na verdade a raiz do problema é muito mais profunda. Precisamos de uma revolução na maneira de ensinar Estética, e precisamos já.

*[Termo utilizado na Psicologia (Teoria da Aprendizagem Significativa-David Ausubel) para estrutura cognitiva existente, capaz de favorecer novas aprendizagens].

ATENÇÃO: Caso tenha gostado COMPARTILHE esse texto, mas por gentileza NÃO COPIE. Mesmo citando a referência, textos incompletos e descontextualizados geram interpretações dúbias.

Prof. Ricco Porto

Compartilhe esse Texto

Ricco Porto

Esteticista e Cosmetologo. Pós Graduado em Estética Facial e Corporal, Gestão e Docência em estética, Educador, Pós graduado em Docência do Ensino Superior. Mestrando em Educação. Membro representante da Federação Mundial de Massoterapia (World Massage Federation) desde 2014. Sendo a primeira escola Brasileira com esse título. Docente em cursos de Estética e Massoterapia, atuando como profissional dessas áreas há mais de 17 anos. Palestrante Internacional em Workshops, Simpósios e cursos. Diretor do Instituto Ricco Porto desde 2007.

Artigos recomendados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *