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A lipoaspiração é um procedimento estético para retirada de gordura em pacientes saudáveis e tem como finalidade reduzir o acúmulo de gordura localizada, a chamada lipodistrofia, levando à melhora no contorno corporal. Nas últimas três décadas, a lipoaspiração vem sendo aperfeiçoada, reduzindo a invasividade da cirurgia e preservando a circulação local [1].

Sempre ouvimos questionamentos sobre a reestocagem da gordura no pós operatório de Lipoaspiração;

Se é possível que a gordura volte a acumular?
Depois de quanto tempo ela volta?
Se volta no mesmo local e quantidade?

Enfim, dúvidas que povoam a mente de pacientes e profissionais.

Nessa caminhada como Esteticista atendi muitas pacientes no pós operatório de cirurgias de Lipoaspiração, e posso dizer que a maioria das pessoas que tive oportunidade de atender se mostraram muito animadas em realizar o procedimento cirúrgico, e de igual forma ficaram felizes com seus resultados em curto e médio prazo. Porém trata-se de uma drástica intervenção que irá interferir diretamente no metabolismo do indivíduo, trazendo efeitos colaterais a serem considerados.

Eliminar gordura localizada “sem esforço” parece ser a oitava maravilha do mundo certo?!

Mas não é bem assim!

Vamos ao papo científico…

Um estudo randomizado controlado realizado por pesquisadores do Colorado e publicado na International Weekly Journal of Science, avaliou a redução de gordura pós Lipoaspiração em médio e longo prazo e também o padrão de redistribuição corporal após lipoaspiração de pequeno porte na região abdominal, coxas e quadris de mulheres não obesas.

As avaliações foram repetidas após o procedimento de Lipoaspiração, respectivamente após 6 semanas, 6 meses e 1 ano.

[Métodos de avaliação: Calorimetria Indireta, Densitometria de dupla absorção de raio?X, Adipometria, Clamp euglicêmico e hiperinsulinêmico, Imagem por Ressonância Magnética].

Verificou-se redução de apenas 2,1% no percentual de gordura após 6 semanas, mas isso diminuiu após 6 meses e voltou ao normal após um ano.
Mas o pior está por vir, análises do segmento em separado mostraram que a gordura não retornou por completo na coxa e quadril, mas se concentrou no abdome [2].

O corpo parece ter gravado em sua memória um determinado percentual de gordura e, se não der para armazenar em um local, ele compensa em outro. E a região do abdome parece ser especialmente favorável para isso. O problema é que esse acúmulo também ocorreu na gordura visceral e o grupo que fez lipoaspiração teve a tendência em acumular mais gordura nesse local que o controle, o que é preocupante, dada as associações com problemas metabólicos e cardiovasculares [3].

Na teoria parece simples eliminar gordura por meio de uma cirurgia que está financeiramente acessível, mas na prática não é assim que banda toca. É importante que se tome a decisão de se submeter a uma cirurgia sabendo exatamente o que esta representa, no pré, no trans e no pós operatório a curto e longo prazo.

Além de toda a preparação física no pré operatório (com Drenagem Linfática Manual e massagens estimulantes do sistema circulatório de retorno), no transoperatório (escolhendo um centro cirúrgico autorizado pela Vigilância Sanitária, com equipamentos e equipe treinada para qualquer intercorrência e médico especialista), é importante que haja uma mudança no estilo de vida dessa paciente, nos seus hábitos alimentares, prática de atividades físicas regulares, e cuidados estéticos em geral.

Em vários casos a Lipoaspiração é indicada e certamente traz benefícios, mas se faz necessário promover modificações sustentáveis no metabolismo, para que o corpo entenda que não precisa daquela gordura, do contrário o efeito “sanfona” sempre estará presente na vida daqueles que buscam por um corpo livre das indesejáveis gordurinhas localizadas.

Ps. Caso tenha gostado compartilhe o texto, mas por gentileza NÃO COPIE, textos fragmentados podem gerar interpretações dúbias.

REFERÊNCIAS:
1. Illouz YG. Body contouring by lipolysis: a 5-year experience with over 3000 cases. Plastic Reconstruction Surg. 1983;72(5):591-7.
2. Hernandez T.L., Kittelson J.M., Law C.K., Ketch L.L., Stob N.R., Lindstrom R.C., et al. Fat redistribution following suction lipectomy: defense of body fat and patterns of restoration. Obesity, 19 (2011), pp. 1388–1395
3 Gentil. P., Lipoaspiração resolve? Onde? Pra quem? C2015. Disponível em <https://instagram.com/p/0Y3AmQmaTS/ >.

Prof. Ricco Porto.

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Ricco Porto

Esteticista e Cosmetologo. Pós Graduado em Estética Facial e Corporal, Gestão e Docência em estética, Educador, Pós graduado em Docência do Ensino Superior. Mestrando em Educação. Membro representante da Federação Mundial de Massoterapia (World Massage Federation) desde 2014. Sendo a primeira escola Brasileira com esse título. Docente em cursos de Estética e Massoterapia, atuando como profissional dessas áreas há mais de 17 anos. Palestrante Internacional em Workshops, Simpósios e cursos. Diretor do Instituto Ricco Porto desde 2007.

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