E-mail

[email protected]

Olá meu povo, quanto tempo! Tô numa correria louca mas por incrível que pareça produzir essas postagens não soam como trabalho, do contrário, me relaxam.

Bem, venho tratar aqui mais uma vez de um assunto do nosso cotidiano que afeta mestres e alunos engajados no que chamamos de “Estética Científica”.

A propósito, esse termo praticamente (não generalizando) virou um jargão para se dar credibilidade a alguma afirmação, técnica ou método. É quase como quando um vendedor diz; “Como visto no fantástico” “Como os grandes noticiários já anunciaram” no intuito de validar determinado produto ou serviço. Se passou na TV é bom, foi veiculado em revistas é bom, se é chamado de científico é bom.

Venho no entanto alertar meus caros colegas que estejam mais atentos as informações que andam digerindo como verdades absolutas.

Primeiro porque não existem verdades absolutas, e até mesmo uma tese de PhD de Harvard é passível de antíteses e contestações.

Segundo porque nem todas as fontes são confiáveis e algumas já estão bem, mas bem ultrapassadas.

Trouxe-lhes alguns exemplos clássicos que vejo não uma, mas centenas e arrisco dizer milhares de vezes em textos publicados em blogs, trabalhos acadêmicos, e pasmem até em livros e trabalhos de conclusão de cursos.

EXEMPLO 1: “Quando realizado vigorosamente, o amassamento tende a produzir o efeito de emulsificar a gordura nas células superficiais do tecido conjuntivo. Em estado emulsificado, os glóbulos de gordura têm maior facilidade para entrar no sistema linfático e também para serem metabolizados.” Trecho retirado do Livro “Manual de massagem terapêutica” de 2001, e encontrado em 207 citações de textos “científicos”, apostilas, trabalhos de conclusão de curso entre outros.

Porém o fato é que…

A emulsificação da gordura é efetuada sob a influência da bile, a secreção do fígado que contém grande quantidade de sais biliares, principalmente na forma de sais inonizados de sódio, que são extremamente importantes para este processo [1]. Não existem evidências de que este processo ocorra por influencia mecânica de massagem, pelo contrário, existem evidências de que esse processo não ocorra por este tipo de estímulo [2].

EXEMPLO 2: “Para atingir o tecido conjuntivo utiliza-se as técnicas de massagem que apalpam, e promovem remodelação do tecido conjuntivo. Para Andrade; Clifford, essas técnicas incluem rolamento fricção, e técnica fascial direta.” Trecho retirado de um trabalho acadêmico e encontrado em 603 citações de textos “científicos”, apostilas, trabalhos de conclusão de cursos entre outros.

Porém o fato é que…

O único capítulo do livro de Andrade e Clifford, “Massagem – Técnicas e Resultados” (Capítulo 8) que trata de Tecido Conjuntivo, não afirma em nenhum momento que há remodelagem do tecido por meio das manobras, ou seja, essa afirmação é feita como grifo da pesquisadora e não embasada na referência citada.

Ou seja, só nessa pesquisa básica por dois parágrafos contendo informações equivocadas encontrei mais de 800 textos que copiaram essas informações. E sabe lá Deus quantos mais textos que escaparam a essa pesquisa superficial e estão veiculando esses mesmos equívocos por aí. Isso só reforça a ideia que copiar texto de internet é furada.

Poderia citar inúmeros exemplos de citações com referências trocadas, com adendos do próprio autor do texto incorrendo em opiniões próprias e atribuindo afirmações às referências, trabalhos acadêmicos não publicados sem revisão e que passam como artigos válidos, livros ultrapassados, blogs que usam referências copiadas da internet e que quando vamos verificar o artigo não existe, referências fantasmas, e até mesmo artigos publicados com metodologia falha ou vieses de diversas ordens.

Porém não vou citar cada um desses porque prometi que o texto seria pequeno…kkk

Mas resumindo, nem tudo que reluz é ouro, e não podemos tomar como verdade absoluta uma informação simplesmente por estar em um “Artigo Científico” ou Livro. Imagina então se estiver somente em blogs ou sites. Não que estes não possam conter informações válidas e verdadeiras, podem sim, mas sempre é bom investigar, apurar, sondar, indagar, inquirir, perquirir, averiguar, perscrutar, examinar, esquadrinhar, espiolhar, avaliar, escavar, examinar, analisar, anatomizar da forma mais profunda possível.

Desejo que todos desenvolvam dentro de si amor pelo conhecimento, e que estudar não seja um fardo. Só por meio do bom conhecimento conseguiremos evoluir, sermos respeitados e valorizados. Por uma estética verdadeiramente científica prosseguimos juntos.

ATENÇÃO: Caso queira COMPARTILHE esse texto, mas por gentileza NÃO COPIE. Mesmo citando a referência, textos incompletos e descontextualizados geram interpretações dúbias.

Referências:

1. GUYTON, Arthur C. Fisiologia Humana. 6.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S A, 1988. cap. 10, p.325-429.
2. FRICKER J., MELCHIOR J., DUCHEMIN M., THOUMIE P., APFELBAUM M. Masso-kinésitherapie et reéducation dans l’obesité. In: Encyclopédie médicale et chirurgicale: Kinésitherapie-Médicine physique-Réadaptation. Paris: Elsevier; 1988. 26-580-A-10, p.1-8.

Prof. Ricco Porto.

Compartilhe esse Texto

Ricco Porto

Esteticista e Cosmetologo. Pós Graduado em Estética Facial e Corporal, Gestão e Docência em estética, Educador, Pós graduado em Docência do Ensino Superior. Mestrando em Educação. Membro representante da Federação Mundial de Massoterapia (World Massage Federation) desde 2014. Sendo a primeira escola Brasileira com esse título. Docente em cursos de Estética e Massoterapia, atuando como profissional dessas áreas há mais de 17 anos. Palestrante Internacional em Workshops, Simpósios e cursos. Diretor do Instituto Ricco Porto desde 2007.

Artigos recomendados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *